O EVIDENTE CRESCIMENTO DA ASTROFOTOGRAFIA PARAIBANA

Para começar essa história, precisaremos retornar ao ano de 1971, quando o extinto OAP – Observatório Astronômico da Paraíba adquiriu uma câmera reflex Miranda e montou um laboratório de revelação sob a coordenação do fotógrafo Rubens Nascimento. A antiga câmera Miranda acoplada ao telescópio do observatório produziam certamente as primeiras astrofotografias do estado da Paraíba.

Telescópio do antigo Observatório Astronômico da Paraíba

Telescópio do antigo Observatório Astronômico da Paraíba

A astrofotografia é um tipo especializado de fotografia que utiliza uma série de técnicas de aquisição e processamento de imagens para o registro de objetos celestes, como planetas, estrelas, nebulosas, galáxias ou constelações. Mas nos anos 70, a prática da astrofotografia era muito mais complexa e exigia muito mais conhecimento em astronomia e fotografia.

Naquela época, trabalhava no OAP, o astrônomo Marcos Jerônimo, membro da Associação Paraibana de Astronomia (APA) e que hoje coordena o Laboratório de Astronomia da Estação Cabo Branco em João Pessoa. Marcos conta que, com a desativação do observatório em 1975, ele passou a realizar atividades astronômicas como amador, e se aventurou por conta própria e de forma autodidata na astrofotografia. Para tanto, comprou uma câmera russa Zenith e construiu um dispositivo para adaptá-la ao seu telescópio refrator Unitron Polarex. Uma amiga fotógrafa lhe fornecia os filmes fotográficos que se adaptavam melhor a cada tipo de astrofotografia.

Como não possuía uma montagem motorizada para acompanhar o movimento aparente dos astros, Marcos se especializou em fotografar a Lua e o Sol (utilizando filtros especiais, evidentemente), o que não necessitava de grande tempo de exposição. Após as sessões de captura, os filmes eram revelados no laboratório de fotografia do Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa, e os resultados, enviados pelo correio para a Rede de Astronomia Observacional (REA) e para instituições astronômicas em todo mundo, como Itália, Espanha, Venezuela e Portugal. Naquela época, a prática da astrofotografia era, sobretudo, uma atividade muito cara e muito trabalhosa, mesmo para os astrônomos mais experientes.

Artigo com fotos do Eclipse Total da Lua de 1993

Artigo com fotos do Eclipse Total da Lua de 1993

Com a evolução da fotografia digital no final dos anos 90 e início dos anos 2000, grande parte da complexidade da atividade começou a desaparecer. As câmeras ainda eram caras, mas o fato de não necessitar mais de filmes especiais nem de revelação, além da facilidade de visualizar na hora o resultado da exposição, já tornavam a prática da astrofotografia mais acessível às pessoas com menos experiência fotográfica. Mas nos últimos anos, com o barateamento dos equipamentos e a evolução dos softwares de processamento de imagens, a astrofotografia tem se tornado uma prática extremamente popular. Deixou de ser uma atividade avançada para astrônomos experientes para ser, muitas vezes, a porta de entrada na astronomia para várias pessoas.

Atualmente, na Paraíba, a astrofotografia se desenvolveu bastante. A retomada das atividades da APA em 2007 contribuiu bastante. Em 2013, o NEPA – Núcleo de Estudos e Pesquisa em Astronomia do IFPB criou o Grupo de Estudos em Astrofotografia, que reuniu parte dos interessados em aprender e se aprofundar no assunto. Nesse mesmo ano, como parte das ações do grupo, nasceu o Encontro Paraibano de Astrofotografia (EPA!), realizado anualmente na cidade de Maturéia.

III EPA! 2015

III EPA! 2015

Este ano (2015), ocorre nos dias 11, 12 e 13 de setembro a terceira edição do EPA!, que segundo a organização, deve contar com cerca de 50 pessoas entre astrofotógrafos, astrônomos e entusiastas no assunto. Uma realidade completamente diferente da enfrentada por Marcos Jerônimo há 40 anos, quando trabalhava praticamente sozinho no Estado.

Mas uma coisa não mudou desde aquela época: o reconhecimento do trabalho. Da mesma forma como nos anos 70 e 80, as astrofotografias produzidas aqui na Paraíba ganham o reconhecimento em nível nacional e até fora daqui. Com a popularização das redes sociais, as astrofotografias paraibanas rapidamente são publicadas e ganham o mundo. Elas estão sempre presentes nos grupos de praticantes de astrofotografias do mundo inteiro, e sempre participando de exposições e concursos nacionais e internacionais.
No ano passado (2014), com uma foto feita em João Pessoa, o astrônomo amador Marcelo Zurita conquistou o terceiro lugar geral no II Concurso Nacional de Astrofotografia e segundo lugar na sua categoria (fotos feitas sem o uso de telescópio).

Trilha de Estrelas e Relâmpagos - 3° lugar no II Concurso Nacional de Astrofotografia - 2014

Trilha de Estrelas e Relâmpagos – 3° lugar no II Concurso Nacional de Astrofotografia – 2014

Em 2014, Marcelo era o único representante da Paraíba no Concurso, que este ano conta com quatro astrofotografias paraibanas. Curiosamente, as quatro possuem uma incrível diversidade de temas e locais onde foram feitas.
A primeira delas mostra uma incrível formação de uma tempestade com um fundo estrelado. Foi feita por Anderson Dantas em Picuí, cidade do Seridó paraibano.
A foto de Marcelo Zurita exibe o maior patrimônio arqueológico do Estado, a Pedra do Ingá com a Via Láctea de fundo, foi feita em Ingá, no Agreste da Paraíba.
Representando o Brejo, Caio Vinícius com uma bela foto de um moinho de vento, com a Via Láctea ao fundo. Foto feita em Mulungu.
E por último, a belíssima foto de Renato Bandeira, que mostra o Complexo Rho Ophiuchi, uma região repleta de nuvens de gás e poeira formando nebulosas escuras, nebulosas de emissão e de reflexão (astrônomos entendem isso). Essa foto foi feita em Teixeira, Sertão da Paraíba.

Foto de Anderson Dantas feita em Picuí

Foto de Anderson Dantas feita em Picuí

Foto de Marcelo Zurita na Pedra do Ingá

Foto de Marcelo Zurita na Pedra do Ingá

Foto de Caio Vinícius em Mulungu

Foto de Caio Vinícius em Mulungu

Foto de Renato Bandeira em Teixeira

Foto de Renato Bandeira em Teixeira

Podemos então afirmar que essas fotos representam nesse concurso todo o estado da Paraíba. Brejo, Agreste, Seridó e Sertão, com suas belas paisagens naturais banhadas pelas luzes das estrelas, que aqui parecem brilhar cada vez mais.

Tudo isso, ajuda a reforçar a ideia do quanto a Paraíba vem crescendo na astrofotografia, e o quanto ainda pode crescer. Somos privilegiados pela natureza, pela beleza de nossas paisagens naturais e pela escuridão dos nossos céus. O tempo seco e a ausência de grandes cidades no sertão do Estado, faz da Paraíba um dos melhores locais para a prática e o desenvolvimento da astrofotografia e consequentemente da astronomia.

Mais:
III Encontro Paraibano de Astrofotografia
O III EPA! ocorre nos dias 11, 12 e 13 no Casarão do Jabre, na cidade de Matureia. O evento é aberto a quem quiser participar. Maiores detalhes no Facebook da APA: https://www.facebook.com/events/163227164010833/

III Concurso Nacional de Astrofotografia
A votação para o III Concurso Nacional de Astrofotografia está sendo realizado exclusivamente pelo site no seguinte link: http://concursonacionaldeastrofotografias.weebly.com/votaccedilatildeo.html
É preciso informar alguns dados (apenas para evitar fraudes) e votar em 4 fotos (coincidência, não é?).

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